Para o Dr. Vinicius Rodrigues, a palavra biópsia costuma assustar mais do que deveria. O pedido do exame é frequentemente recebido como confirmação de câncer, quando na verdade a maior parte das biópsias de mama tem resultado benigno. O procedimento existe justamente para tirar a dúvida que a imagem não consegue resolver sozinha, e conhecer cada etapa ajuda a reduzir a ansiedade entre o pedido e o resultado.
O primeiro passo é definir o método
A escolha do tipo de biópsia depende do achado e do exame que melhor o mostra. Nódulos visíveis na ultrassonografia geralmente são biopsiados com orientação do ultrassom. Microcalcificações, que aparecem apenas na mamografia, exigem guia mamográfico. Lesões identificadas somente na ressonância magnética podem ser abordadas com apoio desse próprio exame.
Antes do procedimento, a equipe confirma o uso de medicamentos que afetam a coagulação, como anticoagulantes e alguns anti-inflamatórios. Em determinados casos, pode ser necessário suspender a medicação por alguns dias, sempre com orientação do médico responsável pelo tratamento.
Punção por agulha fina e biópsia por agulha grossa
A punção aspirativa por agulha fina utiliza uma agulha semelhante à de coleta de sangue para retirar células ou líquido. É indicada principalmente para esvaziar cistos e avaliar linfonodos da axila. Por coletar apenas células soltas, oferece informação mais limitada sobre o tecido.
A biópsia por agulha grossa, também chamada de core biopsy, é o método mais utilizado para investigar nódulos. Com anestesia local, o médico introduz uma agulha um pouco mais calibrosa e retira pequenos cilindros de tecido, geralmente em várias passagens. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a amostra preserva a estrutura do tecido e permite não apenas confirmar ou afastar o câncer, mas também identificar características do tumor que orientam o tratamento.
Mamotomia e estereotaxia
A mamotomia é uma biópsia assistida a vácuo. A agulha aspira o tecido para dentro de um compartimento e o corta, o que possibilita retirar amostras maiores por uma única pequena incisão. O método é útil para microcalcificações e lesões pequenas, em que é importante coletar material suficiente.
Quando o alvo aparece só na mamografia, o procedimento é feito por estereotaxia. A mama é comprimida, como em uma mamografia comum, e o aparelho calcula as coordenadas exatas da lesão a partir de imagens em ângulos diferentes. Com essa localização, a agulha é direcionada ao ponto preciso.
Como é a recuperação?
A maioria das biópsias de mama dura de 20 minutos a uma hora e é feita em ambulatório, sem internação. Ao final, costuma ser colocado um pequeno marcador metálico no local, que permite localizar a área em exames futuros ou em uma eventual cirurgia. O marcador não causa desconforto e não interfere em exames posteriores.
Hematomas leves e sensibilidade local por alguns dias são esperados. Na leitura de Vinicius Rodrigues, compressas frias, curativo e restrição de esforço físico intenso por um ou dois dias resolvem a maior parte dos desconfortos, e sinais como sangramento persistente ou febre justificam contato com a equipe.
O resultado e a correlação com a imagem
O material segue para o exame anatomopatológico, e o resultado costuma ficar pronto em alguns dias. Nos casos de câncer, testes adicionais no mesmo material identificam receptores hormonais e outras características que definem o tipo de tumor e as opções de tratamento.
Uma etapa final, muitas vezes desconhecida pelas pacientes, é a correlação entre o resultado e a imagem. O radiologista confere se o diagnóstico do patologista é compatível com o que o exame mostrou. Conforme ressalta Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, quando há discordância entre os dois, a investigação continua, o que garante que um resultado benigno seja de fato confiável.
