A Revolução dos Bichos é um livro considerado clássico moderno; a distância entre as palavras se dá pelo tempo de publicação e ares de contemporaneidade, o livro foi publicado em 1945 e até hoje continua sendo um livro importantíssimo e muito discutido entre as pessoas. Rafael Libman, leitor assíduo, tece comentários valiosos sobre a obra. O autor George Orwell é conhecido pela publicação de outra obra muito conhecida, o livro 1984.
Publicado pela primeira vez em 1945, foi escrito no contexto histórico da Segunda Guerra Mundial e se trata de um livro que é uma obra prima. Trata-se de uma fábula protagonizada por animais que, por trás da metáfora, manifesta uma insatisfação diante das atrocidades do regime stalinista. O teor político do livro é explícito, ao folhear as páginas é possível identificar duras críticas ao regime ditatorial.
Cansados de serem explorados, os animais se organizam e planejam uma revolução. Dessa forma, eles expulsam os humanos da fazenda que de Granja Solar, passou a ser chamada de Granja dos Bichos. Os líderes dessa revolução foram os porcos: Bola de neve, Garganta e Napoleão. Os três promoveram uma ordem baseada nos ensinamentos de Major (porco idoso e sábio), por um sistema intitulado Animalismo, cujo se assemelha, em grande parte, ao Stalinismo. O Major é uma personagem que possui um senso de justiça admirável, afirma Rafael Libman.
Ao tomarem as rédeas da comunidade, os três porcos acabam por exceder as regalias em benefício próprio. Os três já não trabalhavam como todos, apenas davam ordens e supervisionavam os outros animais; comiam e bebiam mais; se mudaram para a casa de Jones, o dono da fazenda que foi expulso. Sobre o destino desta casa, em consenso com todos os animais da fazenda, foi decidido que era para ser destinada a se tornar um museu, mostrando que mais uma vez a tríplice estava excedendo seus privilégios.
De início, a revolução propiciou liberdade e felicidade aos animais, pois visavam uma sociedade igualitária e justa. Porém, com o passar do tempo, o poder subiu na cabeça dos porcos, principalmente de Napoleão, que chegou a exigir uma maior produção de alimento na fazenda a fim de realizar trocas comerciais com outros comerciantes, fato gravíssimo visto que os animais repudiam esta raça. É um sinal visível de como o poder muda as pessoas, salienta Rafael Libman. De fato, o poder gera mudanças. Napoleão, sem uma razão específica (pois não está explícita no livro), proíbe os animais de cantar “Bichos da Terra”, canção que todos os animais apreciavam e que simbolizava em grande parte o sentido da revolução.