Investir em COE tem se tornado um tema quente no mercado financeiro brasileiro em 2025, com o estoque desses certificados atingindo impressionantes R$ 90 bilhões, conforme dados recentes da B3. Esse crescimento reflete o interesse crescente de investidores, mas também levanta questionamentos sobre os riscos e benefícios envolvidos. Investir em COE, ou Certificados de Operações Estruturadas, é uma opção que mistura características de renda fixa e variável, prometendo proteção ao capital e possibilidade de ganhos maiores. No entanto, a complexidade desse produto e as polêmicas que o cercam têm gerado debates intensos entre especialistas e investidores. O cenário atual, com alta de 16% nas operações diárias em 2024, mostra que investir em COE está na mira de muitos, mas será que vale a pena?
O primeiro ponto a considerar ao decidir investir em COE é o apelo que esses certificados têm no mercado. Com uma média diária de 1.092 operações registradas na B3 em 2024, o produto ganhou espaço entre investidores que buscam diversificar suas carteiras. Investir em COE pode ser atraente porque oferece a chance de lucrar com ativos como índices internacionais, moedas ou commodities, sem expor diretamente o capital a perdas totais. Esse modelo híbrido é frequentemente vendido como uma solução segura para quem quer sair da zona de conforto da renda fixa tradicional. Porém, a falta de clareza sobre os custos embutidos e a rentabilidade real faz com que investir em COE exija uma análise cuidadosa para evitar surpresas desagradáveis.
A estrutura dos COEs é outro aspecto essencial para quem pensa em investir em COE. Diferente de ações ou fundos de investimento, esses certificados são montados por instituições financeiras com uma combinação de derivativos que definem os cenários de ganho ou perda. Investir em COE significa, na prática, confiar na estratégia desenhada pelo emissor, que pode limitar os lucros em troca de proteção ao capital investido. Fabio Zenaro, diretor da B3, destaca que a adaptabilidade do produto a diferentes contextos econômicos é um diferencial, mas os especialistas alertam que essa flexibilidade vem acompanhada de complexidade. Investir em COE pode ser um tiro no escuro para quem não entende os detalhes da operação, o que reforça a necessidade de educação financeira.
Um dos maiores desafios ao investir em COE é a questão da transparência, ou melhor, a falta dela. Apesar de o estoque ter chegado a R$ 90 bilhões, muitos investidores ainda não compreendem totalmente os riscos embutidos ao investir em COE. Os custos ocultos, como margens que remuneram os bancos e distribuidores, não são explicitados de forma clara, diferentemente de outros produtos financeiros. Investir em COE pode parecer vantajoso à primeira vista, mas estudos já apontaram que, em muitos casos, o retorno esperado fica abaixo de alternativas mais simples, como o Tesouro Direto. Esse cenário gera desconfiança e alimenta as polêmicas sobre a real vantagem de investir em COE no longo prazo.
A liquidez é outro fator que pesa na decisão de investir em COE. Com prazos que variam geralmente entre dois e seis anos, o dinheiro aplicado fica travado até o vencimento, o que reduz a flexibilidade do investidor. Investir em COE exige paciência e planejamento, já que resgates antecipados, quando possíveis, costumam vir com descontos que corroem os ganhos. Para quem precisa de acesso rápido ao capital, investir em COE pode não ser a melhor escolha, especialmente em um contexto econômico volátil como o de 2025. A baixa liquidez, somada à complexidade do produto, faz com que investir em COE seja mais indicado para quem tem um perfil específico e tolerância a riscos calculados.
Por outro lado, há quem defenda que investir em COE tem seu lugar em uma carteira bem estruturada. Especialistas apontam que o produto pode funcionar como uma proteção contra oscilações de mercado, o famoso hedge, especialmente para quem já tem exposição a ativos de risco. Investir em COE permite, por exemplo, apostar na queda de um índice enquanto se mantém o capital inicial garantido, algo que atrai investidores mais experientes. A possibilidade de acessar mercados internacionais sem sair do Brasil também é um argumento favorável para investir em COE. Ainda assim, esses benefícios dependem de uma escolha acertada do certificado e de um entendimento claro das condições oferecidas.
Os números impressionantes do mercado de COEs não escondem as críticas que acompanham a decisão de investir em COE. Dos R$ 90 bilhões em estoque, 58% são de COEs do tipo call e 13% de retorno condicional, o que mostra a diversidade de estruturas disponíveis. No entanto, investir em COE muitas vezes é questionado por especialistas que destacam a assimetria de informação entre emissores e investidores. A promessa de segurança pode mascarar retornos modestos, especialmente quando comparados a opções mais acessíveis e transparentes. Investir em COE exige, portanto, um olhar crítico e, idealmente, o acompanhamento de um profissional para evitar cair em armadilhas financeiras.
Por fim, a pergunta que fica é: vale a pena investir em COE em 2025? Com o mercado aquecido e o estoque em R$ 90 bilhões, investir em COE pode ser uma oportunidade para quem busca diversificação e está disposto a estudar o produto a fundo. Contudo, a combinação de baixa transparência, liquidez limitada e retornos nem sempre competitivos faz com que investir em COE não seja para todos. O crescimento do setor é inegável, mas o sucesso ao investir em COE depende de alinhar expectativas com a realidade do mercado. Para muitos, a resposta estará no equilíbrio entre risco, conhecimento e objetivos financeiros de longo prazo. Investir em COE é uma escolha pessoal, mas informada.
Autor: Katy Müller
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital