Edifícios residenciais exigem decisões técnicas que impactam desempenho, custo e durabilidade ao longo de décadas. Segundo o engenheiro Valderci Malagosini Machado, a definição entre o bloco de concreto e o tijolo cerâmico influencia não apenas a estrutura, mas também o ritmo da obra e o padrão de conforto entregue ao morador. Dessa forma, essa escolha vai além da tradição regional ou do preço unitário do material. Interessado em saber o porquê? Acompanhe, nos próximos parágrafos.
O desempenho estrutural em edifícios residenciais
O desempenho estrutural é um dos primeiros pontos de comparação. O bloco de concreto apresenta elevada resistência à compressão e padronização dimensional rigorosa. Essa uniformidade reduz variações na execução e contribui para maior precisão na alvenaria estrutural.
Já os tijolos cerâmicos, quando utilizados em sistemas convencionais com pilares e vigas de concreto armado, cumprem função predominantemente de vedação. Nesse cenário, a carga principal recai sobre a estrutura independente. Essa solução é bastante difundida em edifícios residenciais de pequeno e médio porte, sobretudo onde o sistema estrutural já está definido, como pontua o diretor técnico Valderci Malagosini Machado.
Por outro lado, quando o projeto adota alvenaria estrutural, o bloco de concreto tende a oferecer melhor desempenho mecânico e integração entre vedação e estrutura. Isso pode resultar em redução de etapas construtivas e simplificação do cronograma, especialmente em empreendimentos repetitivos.
Custo: qual solução entrega o melhor equilíbrio financeiro?
O custo não deve ser analisado apenas pelo valor do material por unidade. Em edifícios residenciais, o custo global envolve consumo de argamassa, necessidade de revestimento, tempo de execução e desperdícios. Conforme frisa o engenheiro Valderci Malagosini Machado, uma análise financeira consistente considera o ciclo completo da obra.
Isto posto, o bloco de concreto, por possuir maior dimensão e melhor alinhamento, tende a reduzir o consumo de argamassa e retrabalhos. Além disso, em projetos bem modulados, pode permitir acabamento mais direto, com menor espessura de revestimento. Essa racionalização impacta diretamente o orçamento final. Em contrapartida, o tijolo cerâmico geralmente apresenta custo unitário menor. Entretanto, pode demandar maior volume de argamassa e ajustes em obra. Portanto, a escolha depende da estratégia construtiva adotada e do nível de controle aplicado no canteiro.

Como o isolamento térmico e acústico influencia a escolha?
De acordo com Valderci Malagosini Machado, o conforto interno é fator decisivo em edifícios residenciais contemporâneos. O tijolo cerâmico, por sua porosidade natural, tende a apresentar bom desempenho térmico, reduzindo a transferência de calor. Isso pode contribuir para maior eficiência energética, especialmente em regiões de clima quente.
O bloco de concreto, por sua vez, possui maior densidade e pode apresentar desempenho térmico inferior quando não associado a soluções complementares. Contudo, conforme análise técnica aplicada em projetos recentes, o uso de revestimentos adequados e camadas isolantes corrige essa diferença de maneira eficaz. No aspecto acústico, ambos os sistemas podem atingir níveis satisfatórios, desde que corretamente especificados. Assim sendo, o resultado final depende mais do detalhamento construtivo do que do material isoladamente.
Produtividade e impacto no cronograma da obra
A produtividade influencia diretamente o retorno financeiro do empreendimento. Segundo o diretor técnico Valderci Malagosini Machado, em edifícios residenciais de múltiplos pavimentos, a repetição de unidades favorece sistemas construtivos mais industrializados. Nesse contexto, o bloco de concreto costuma apresentar vantagens. Isto posto, entre os principais fatores que afetam a produtividade, destacam-se:
- Dimensão maior das peças, reduzindo número de assentamentos;
- Melhor alinhamento, diminuindo correções posteriores;
- Facilidade de integração com instalações quando o projeto é bem compatibilizado;
- Redução de desperdício no canteiro.
Esses pontos, quando bem planejados, aceleram a execução e reduzem custos indiretos. Após essa análise, percebe-se que a produtividade não está apenas no material, mas na forma como ele é integrado ao projeto executivo. O tijolo cerâmico, embora tradicional, pode exigir maior tempo de execução. Contudo, em regiões com mão de obra amplamente treinada nesse sistema, o desempenho pode ser competitivo.
Uma decisão técnica orientada por estratégia
Em conclusão, a comparação entre bloco de concreto e tijolo cerâmico em edifícios residenciais não admite resposta única. Pois, cada solução apresenta vantagens específicas em desempenho estrutural, custo, isolamento e produtividade. Dessa forma, o critério decisivo não é apenas o material, mas o alinhamento entre projeto, execução e estratégia do empreendimento. Assim, quando a decisão é fundamentada em análise técnica integrada, os edifícios residenciais alcançam melhor equilíbrio entre eficiência construtiva, conforto e viabilidade econômica.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
