Franquia é um modelo em que a marca cede o método de trabalho e o uso do nome a um parceiro, que investe e opera a loja. Na análise de Fredy da Silva Gonçalves Bento, especialista em expansão de negócios e mobilidade elétrica, escolher o franqueado é uma das decisões mais sensíveis para uma rede que deseja crescer sem perder o padrão, porque a expansão depende, em boa medida, de quem assume cada unidade. Os erros costumam aparecer dos dois lados do balcão, tanto na franqueadora quanto no candidato.
Confundir interesse pelo produto com perfil de franqueado
O primeiro erro é achar que gostar de scooters, motos ou bicicletas elétricas basta para tocar uma loja. Entusiasmo ajuda, mas a franquia exige rotina de gestão: controle de caixa, acompanhamento de estoque, atendimento ao comprador e disciplina para seguir um método que não foi criado pelo próprio dono da unidade. Em redes de varejo, quem entra apenas pela paixão pelo produto tende a se frustrar quando descobre que a maior parte do dia é feita de tarefas administrativas e de pós-venda, e não de test-drives.
Na avaliação de Fredy da Silva Gonçalves Bento, o candidato precisa entender que está comprando um modelo de operação, e não uma vitrine pronta. Aceitar o padrão da marca, os prazos de atendimento e a forma de tratar o consumidor faz parte do contrato, mesmo quando a vontade é fazer diferente. A rede só se sustenta como rede quando a experiência de quem compra é reconhecível de uma loja para outra.
Subestimar o que a franquia de mobilidade elétrica exige no dia a dia
O segundo erro está em olhar só o investimento inicial e esquecer o capital de giro, isto é, o dinheiro necessário para manter a loja funcionando enquanto as vendas ainda não cobrem todas as despesas. Em operações de varejo de veículos, o estoque pesa muito, e um estoque mal dimensionado prende recursos que fariam falta em outras frentes. Quem ignora isso vê a conta chegar aos poucos, como uma torneira pingando que, com o tempo, esvazia o balde.
Também entra nessa conta o pós-venda. Veículo elétrico exige assistência técnica, peças e orientação sobre uso e bateria, e o franqueado que não se prepara para essa etapa corre o risco de ver a confiança do comprador se desfazer. Como observa Fredy da Silva Gonçalves Bento, que é CEO da Litoral Mobilidade, rede de lojas de mobilidade elétrica do litoral paulista, a loja que vende bem e atende mal dificilmente consegue manter a clientela por muito tempo, e esse cuidado vale para qualquer franquia do ramo.
Ignorar que a expansão empresarial depende de método
O terceiro erro costuma ser da franqueadora: abrir vagas sem saber o que precisa ser replicado. Segundo Fredy da Silva Gonçalves Bento, uma rede que quer expansão nacional precisa definir, antes de escolher parceiros, o que não pode mudar de uma unidade para outra, como o padrão de atendimento, a organização do estoque e o treinamento da equipe. Sem isso, cada loja vira um negócio diferente com a mesma marca na fachada, e o candidato não consegue avaliar se o modelo funciona fora do lugar onde nasceu.
Há ainda o erro de selecionar apenas pelo capital disponível. Quem tem dinheiro para investir nem sempre tem perfil para liderar equipe, acompanhar números e ouvir o retorno do consumidor. Em redes em crescimento, entrevistas que avaliam postura, disposição para aprender e capacidade de seguir processos tendem a antecipar problemas que o contrato sozinho não resolve. O candidato, por sua vez, deve perguntar como funcionam o suporte, o treinamento contínuo e o acompanhamento depois da inauguração, porque é nesse período que a operação mostra a que veio.
Antes de assinar qualquer contrato, vale conversar com franqueados de outras unidades e visitar lojas em funcionamento, para ver de perto a rotina de balcão, estoque e assistência. A franquia funciona melhor quando o perfil do parceiro e a maturidade da rede se encontram, e isso se constrói com critério, conversa franca e paciência para testar o modelo antes de multiplicá-lo.
