De investimento em tecnologia a treinamento escolar e civil, as estratégias de Japão, Alemanha, Chile e México para lidar com desastres naturais

By Katy Müller 4 Min Read

Medidas adotadas por países que vivem sob risco podem inspirar autoridades gaúchas na elaboração ou na melhoria de planos de contingência que previnam ou mitiguem os efeitos de catástrofes naturais como as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul nos últimos meses

Assolado por três enchentes catastróficas em menos de um ano, o Rio Grande do Sul tem um longo caminho a percorrer no que diz respeito a prevenção e reação a desastres naturais. A cheia e os deslizamentos de terra vistos em maio mostram a urgência de se adotar medidas que sejam capazes de mitigar perdas humanas e materiais, e, para isso, referências internacionais podem facilitar o percurso.

A experiência global recomenda a criação de planos de contingência detalhados, com treinamento da população, de voluntários e realização periódica de simulações com alto grau de realismo.

Países que vivem sob risco constante apostam ainda na educação peventiva em escolas e em investimentos em tecnologias de alerta, medidas que podem e devem inspirar autoridades gaúchas na busca por respostas mais rápidas a fenômenos severos como os que devastaram o Estado nos últimos meses.

Veja a seguir, alguns desses exemplos.

Japão aposta em cultura preventiva e ação rápida

Fustigado por terremotos, tsunamis e erupções, o Japão se tornou referência global na elaboração de planos de contingência ao fomentar uma cultura nacional de prevenção e resposta a desastres. Isso inclui a criação de uma robusta estrutura oficial e processos contínuos de treinamento da população.

A Lei Básica de Prevenção de Desastres obriga a elaboração de um Plano Básico para Prevenção de Desastres pelos governos municipais, provincianos e central. Também determina a área de atuação dos ministérios, que, por sua vez, elaboram seus respectivos planos básicos de prevenção — explica o coordenador de projetos da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), Kazuaki Komazawa.

O plano básico inclui as ações a serem tomadas pelo poder público desde emissão de alertas até evacuação, resposta emergencial e recuperação.

— Há planos elaborados para cada uma dessas etapas. Porém, o Plano de Continuidade das Atividades dos órgãos e instituições públicas é definido em separado. O restabelecimento dos serviços essenciais é realizado pelo agente público encarregado de sua gestão, como no fornecimento de água, ou pela empresa privada responsável, como no caso de energia elétrica e gás — complementa Komazawa.

Os japoneses também investem na educação dos moradores para tomarem decisões em curtíssimo prazo.

A realização de treinamentos é obrigatória. A educação em prevenção de desastres faz parte do currículo das escolas primárias e intermediárias.
KAZUAKI KOMAZAWA
Coordenador de projetos da Agência de Cooperação Internacional do Japão

— A realização de treinamentos é obrigatória. A educação em prevenção de desastres faz parte do currículo das escolas primárias e intermediárias, além de serem realizados simulados de evacuação nas escolas anualmente — conta o coordenador de projetos da Jica.

O sistema japonês é complementado pela ação de voluntários treinados para ações como remoção de solo ou de sedimento de dentro de casas afetadas. Eles se organizam por meio de um Conselho de Bem-Estar Social, existente em cada municipalidade, responsável por cadastrar e coordenar os voluntários.

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