Após 40 horas, bombeiros interrompem trabalhos em prédio incendiado e voltam a interditar vias do Centro de SP por risco de desabamento

By Katy Müller 5 Min Read

O Corpo de Bombeiros interrompeu os trabalhos de combate ao incêndio no prédio de dez andares, no Centro de São Paulo, após uma nova avaliação apontar risco de desabamento. O edifício permanece pegando fogo após mais de 40 horas.

Apenas uma viatura aérea está sendo usada para tentar conter as chamas.

As vias da região da Rua 25 de Março, que chegaram a ser liberadas para o comércio mais cedo, voltaram a ser interditadas.

A pedido dos bombeiros, o Metrô fechou o acesso pela Ladeira Porto Geral à estação São Bento, da Linha 1 – Azul.

Os comerciantes foram orientados a fechar as portas o mais rapidamente possível. Os bombeiros pedem para que as pessoas evitem circular pela região.

“Estamos reposicionando as viaturas do Corpo de Bombeiros, mudando o ponto de comando e também fazendo a interdição da Rua 25 de Março, Rua Comendador Abdo Schahin e passando por uma nova avaliação e existe o risco do colapso da edificação, portanto, as operações serão interrompidas agora para uma nova estratégia”, disse o capitão André Elias, porta-voz dos bombeiros.
A CET bloqueou todo o entorno do prédio, localizado na Rua Comendador Abdo Schahin. Seis linhas de ônibus foram desviadas por conta das interdições.

Seguindo orientações dos Bombeiros, além dos dois pontos que já estavam bloqueados, a CET estabeleceu quatro novos,

Pontos de bloqueio:
Rua Comendador Afonso Kherlakian x Rua Comendador Abdo Schain
Rua Niazi Chohfi x R Vinte e Cinco de Março
R. da Cantareira X Av. Mercúrio
Av. Prestes Maia X R. Carlos Souza de Nazaré
Ladeira Porto Geral X R. Boa Vista
R. Florência de Abreu X R. Da Constituição

O incêndio começou às 21h do domingo (10) e alastrou para outros três imóveis na região.

Atingiu uma loja de artigos para festas, um prédio de seis andares e destruiu a sede da primeira igreja ortodoxa do país.

O trabalho de combate às chamas entrou pela madrugada e manhã desta terça (12).

A expectativa era a de que fosse encerrado no final do dia, mas por volta das 11h30 novos focos de incêndio e o risco de desabamento interromperam os trabalhos temporariamente.

Sem AVCB

Na segunda, os bombeiros tinham descartado o risco de desabamento. A Defesa Civil faria uma avaliação após o término dos trabalhos de combate às chamas.

O prédio onde o fogo começou não tinha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

O AVCB atesta que um prédio segue as normas de segurança e tem os equipamentos de proteção e combate a incêndios como alarmes, extintores, hidrantes e saídas de emergência. O documento é obrigatório.

Todos os imóveis atingidos pelo fogo estavam vazios, incluindo a igreja.

Segundo um padre da comunidade Ortodoxa Antioquina de São Paulo, o teto desabou e mais de 80% do imóvel foi destruído.

Um sacristão relatou ao g1 todo o material que pode ter sido destruído por conta do incêndio.

“Ficamos muito tristes. Temos informações de que o fogo atingiu a igreja, mas ainda não sabemos os danos. É a primeira igreja ortodoxa fundada no Brasil, em 1904. Os arquivos dela são grandes e tem informações da religião e história do nosso povo. É um patrimônio histórico da colônia síria no Brasil”, afirmou.

Dois bombeiros que atuavam no combate às chamas ficaram feridos.

Eles sofreram queimaduras de 2º grau e foram encaminhados para o pronto-socorro do Tatuapé, na Zona Leste, com mais de 15% do corpo queimado.

Investigação
Os bombeiros ainda não sabem o que teria provocado o incêndio. Segundo Secretaria da Segurança Pública, o caso foi registrado como incêndio e furto.

A polícia teve acesso à imagens filmadas por câmeras de segurança, que mostram um indivíduo saindo de um estacionamento próximo ao prédio onde o fogo começou carregando dois sacos pretos cheios de objetos.

Logo após a saída dele, foi possível observar um clarão vindo da direção das chamas. A polícia vai investigar se há relação entre esse homem e o incêndio.

Balanço incêndio 2022
Levantamento feito pela TV Globo aponta foram registrados 127 incêndios na Grande São Paulo neste ano.

Desse total, 48 pessoas feridas, 8 mortas e 706 equipes dos bombeiros foram mobilizadas. 17 foram em edificações comerciais, resultando em 4 feridos, sem mortos, e 136 viaturas dos bombeiros no atendimento.

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